terça-feira, 29 de maio de 2012

Velha divergência.

Os olhares que se cruzam sem procurar
Sorrisos fáceis revelam simpatias
Das ironias surgiram insanidades
Das insanidades, intimidades
Das intimidades, pensamentos
Da vida resultou a ausência
A ausência, um olhar à busca

O desejo de abraçar a negação
Do medo de provar o desejo
De um sentimento para outro
Para as palavras vazias
Organizadas sem liberdade
Dum texto que não nasceu feliz.

sábado, 3 de março de 2012

Quanto ao futuro.

Ela entra no quarto um pouco insegura, pensativa, com um olhar no infinito dos olhos de seu companheiro: Será que estamos fazendo o certo? questiona. Que certo? indaga o companheiro.
De estarmos juntos... retruca. Não sei, responde ele e continua...sabe, às vezes acho que somos muito imaturos, mas eu nunca tive dúvidas dos meus sentimentos...
ela intervém, mas, como pode não ter dúvidas dos seus sentimentos, se não temos a certeza se estamos fazendo o certo?
(...)
Mas mesmo nessa incerteza, ainda tenho vontade de querer descobrir o que posso ter ao seu lado...compartilha o companheiro. Não sei...não sei...pensa ela ao adormecer sentido um sufoco entre o coração e a traquéia.
(...)
Ele sai do quarto um pouco pensativo, inseguro, com um olhar infinito para a tela da televisão, enquanto aguarda o fim daquele programa.

O eterno pensamento.

Existe um universo infinito entre quatro paredes.
Algo que transcende a realidade que vemos no cotidiano.
Que explode dentro de nossa cabeça.
Um caos. Uma loucura. Um infinito.

Acontece quando estamos em busca de uma resposta.
Uma resposta de algo sem uma pergunta.
Um vazio frio, que nos deixa impossibilitado de uma ação.
Um eterno que nos faz viajar.

As quatro paredes perdem sua consistência.
Tamanha se torna a imaginação.
O pensamento impulsivo que convoca a necessidade de uma ação ainda não realizada.
Que nos tornaria completo, útil para nós mesmos.

Um alimentar do ego.
O ódio com a impossibilidade.
As dores da ilusão.
Um pensamento eterno de um sentimento destrutivo do vazio existencial.

Uma escuridão espiritual, um ponto luminoso.
Um Big Bang racional.
E o universo se formando em nossas cabeças.
O eterno pensamento.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O refúgio ligado na tomada.

Como tudo na vida há vantagens e desvantagens.
Às vezes, acabo me sobrecarregando de questionamentos que podem ser percebidos por visões alheias como uma negatividade sobre esse desenvolvimento tecnológico que existe atualmente.

Mas pensando acima da minha própria afirmativa, percebo que o próprio "questionar" já está sendo tratado como algo ultrapassado, desnecessário e negativo.
Então, questionar o desenvolvimento tecnológico deve ser algo extremamente calunioso, exagerado e desnecessário para a maioria das pessoas.

O reflexo de uma sociedade doente.

Doente a ponto de se satisfazer com protestos restritos a um site.
Doente a ponto de julgar pelo perfil de um microblog.
Doente a ponto de acreditar que a realidade é fidedigna às informações postadas on-line.

"Se está insatisfeito com o protesto na internet, saia" - A frase de um orgulho ferido, incapaz de crer num mundo melhor. De uma pessoa que já está habituada a perceber a sua vida com a imposição de valores morais e econômicos.

Não é do protesto on-line, ou das petições, ou das crises existenciais que se criam desencadeadas das fortes imagens de sofrimento humano pelo mundo, que estou reclamando.

É da falta de contato real entre os olhares e os toques humanos.

Sinto falta da falta do conhecimento sobre determinadas coisas pelas pessoas - parece que todos devem estar sabendo de tudo, parece que todos sabem de tudo. Um mar de prepotência e conhecimento superficial sobre tudo. A ausência de uma troca verdadeira entre informações - pessoas são informações (considero). Falta de sentimento nas falas.

A curiosidade, hoje, se tornou sinônimo de estupidez, de vergonha.
Perguntar algo simples como: "o que é isso? nunca ouvi falar disso" é seguido de um "Como assim?! tá na internet.." ou algo similar.
Se perdeu a paciência.

Infelizmente, a criatividade humana está restrita à internet. Parece que tudo que é de mais inovador ou espetacular deve estar disponível para ser reconhecido (sucesso, então, nem se fala).
Se não está postado, não faz parte do mundo pós-moderno.
De ferramenta passou a ser vista como solução.

Para rir, chorar, pensar, sofrer, amar, conversar, protestar, respirar, tudo via internet.

E mesmo numa mesa de bar, distante da tela do computador, a discussão gira em torno do que foi visto na internet com jargões típicos da rede. Isso, se não estão todos olhando na tela de suas parafernálias virtuais.

Luto todos os dias para tirar esse vício de acordar e ligar o computador.
O tédio diário é insuportável.
O prazer de escutar um bom CD é vencida pelas 50 discografias em mp3.
O prazer de um livro está sendo vencido pelos 50 blogs de pessoas que acreditam ser grandes literários.
...

Queria tanto um dia acordar num mundo onde meu refúgio é na Terra e não numa tela.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ensaios sobre o lixo

Vou relatar algo que me deixou pensando nessa questões sociais chamado: consciência ecológica. Foi um evento simples, sem grande magnitude, que não influência na vida das pessoas. NÃO, espera! Influência, sim.

É incrível como caímos facilmente em antagonismos quando queremos discutir a sociedade. Ora por falta de uma reflexão profunda, ora por preconceitos e falta de conhecimento. Acredito que a falta de reflexão já é resultado desse modelo de sociedade que reproduzimos sem ao menos questionar as suas falhas e suas contradições.

Digo isso depois de presenciar meus tios conversando sobre como o Japão é avançado e eficaz nas suas obras de infraestrutura, demonstrando uma admiração natural, aliás, típica de muitos brasileiros: "Nossa, é outra cultura, incrível!". A partir disso, fica muito fácil negar a própria sociedade que vivemos e construímos cotidianamente. É muito fácil admirar outros povos e outras culturas, para depois ficar pesando duas sociedades com formações históricas diferentes e discursando: "Aqui é assim, lá não. Lá é assado, aqui não".

Sempre que começo uma reflexão para discutir a sociedade, costumo abrir milhares de parenteses na dialética para evitar as comparações das diversas sociedades que existem ao redor do mundo. Evito determinar o melhor do pior, o mais do menos legal, o mais do menos doentio e por ai vai. Esse meu modo de pensar me faz perceber a grandiosidade que existe em cada conjunto de humanos, inclusive em cada ser humano. O que considero algo bom.

Enfim, retomando o evento que me fez pensar.
Estava sentado numa praça aqui perto de casa, que tem como característica apresentar barrancos, pois a praça está localizada em uma área de desnível topográfico (por isso, a presença desses barrancos íngremes, excelentes para descer com um papelão). Foi quando vi um senhor caminhando na praça com uma pá e uma vassoura. Ele estava olhando para o chão (obviamente), à procura de algo para varrer. Vestia uma regata e uma bermuda estilo "praia". Típica barriga da idade, e não sei porque o achei com um ar de arrogante.

Inicialmente, reconheci como uma atitude nobre e interessante, afinal, devia ser um morador dos arredores cuidando de um espaço público.
Estava tudo natural, ele varria umas coisinhas aqui e acolá e, de repente, ele começou inticar com um pedaço de papel. Ficou tentando empurrar o pedaço de papel barranco abaixo, porém o papel insistia em ficar preso no gramado. Uma hora ele desprendeu o papel e continuou a varrer na mesma direção, até que chegou um ponto onde, se ele seguisse, rolaria barranco abaixo antes do papel. Em seguida, ele achou uma garrafa de Fanta Uva vazia e, simplesmente, deu uma tacada nela como se jogasse golfe com a "garrafabola". Pensei: "Mas, por que ele tá tocando o tudo barranco abaixo?" (costumo ser óbvio em meus pensamentos). Era uma situação intrigante. Ele tocava o "lixo" para baixo e observava. Devia ser para ver se tocou o lixo no lugar certo...(?)...Não sei. Ao mesmo tempo, balbuciava algumas palavras.

Na hora, me veio aquela frase: "o rio tudo leva", não sei se era exatamente assim a frase, mas era algo desse estilo. A cultura do "rio que tudo leva". Aquele lixo indesejável? Toca no rio que ele leva.
A atitude do senhor me pareceu isto: toca a sujeira no barranco que daí não a enxergo. Uma ação de cidadania, caros leitores!
Não defendo quem deixou a garrafa de Fanta na praça, nem quem jogou um papel no chão, nem quem joga bitucas de cigarro no chão. Mas o que aquele senhor fez, para mim, foi desnecessário. Se era para isso, deixe a vassoura e a pá em casa e vai reclamar que sujam a praça, mas não desloque a sujeira dos outros de um lugar para outro, isso não muda nada. O que mais temo é que pessoas assim podem inventar desculpas esfarrapadas para defender esse tipo de atitude. Algo do tipo: "Eu pego minha pá e minha vassoura e limpo" e "eu faço isso porque ninguém limpa por nós"; espero que não.

"Lixo" só é lixo se está no nosso campo de visão? Será que é assim que brasileiro vê o seu lixo?
É uma situação complicada. São atitudes estranhas que me fazem ver como brasileiro é engraçado mesmo. Discute-se tanto sobre ecologia nesses tempos, porém, sinceramente, não sei como se discute ecologia com uma sociedade tão cabeça-dura como a nossa (a de Porto Alegre - RS, evitando generalizar a sociedade brasileira). Imagino que o senhor iria se ofender caso eu falasse algo sobre a atitude dele, afinal eu iria chegar com um discurso do estilo: "deslocar o lixo não limpa."
(...)

Enfim, acho que está na hora de começar a provocar a ira alheia e chamar para uma discussão mesmo. Ainda me sinto confuso nessa sociedade. Não precisamos admirar outros povos só pela riqueza que é a cultura brasileira. Embora, ainda me pergunte: por que temos esse nosso complexo de inferioridade com relação à cultura como um povo? (Devem ser essas babaquices europeias que nos impõem). No entanto, uma coisa é certa, mesmo com essa riqueza cultural brasileira, a cultura do lixo, daquilo que descartamos, dos pertences que não queremos mais, dos objetos que usamos, das necessidades desnecessárias que temos de comprar, tem que mudar.

Esse comportamento do senhor com o lixo me faz lembrar os típicos problemas burocráticos que temos no país, onde os lixos (questões burocráticas) são passados de um lugar para o outro, mas que ninguém parece estar realmente querendo resolver esses problemas.
Está tudo associado.
Aprendamos a reclamar de si mesmo.
Talvez esteja na hora de começar a provocar a ira alheia mesmo...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jogatinas diárias.

Acontece quando se menos espera.
As fases são divertidas, tem todos os desafios, todas as conquistas.
Morremos em algumas partes e ressuscitamos logo em seguida, agora ciente dos perigos no caminho.

Ganhamos pontos a cada conquista, aumenta no ranking, podemos ganhar brindes.
E o mundo, antes oculto e obscuro, passa a se tornar cada vez mais conhecido, claro.
Os piores chefes nem parecem mais tão difíceis. Já nos mostram muitos pontos fracos.

Sobra a nostalgia de algumas fases, mundos que passamos, mas que sabemos que se voltar, não teremos a mesma emoção da novidade.
Cada personagem que conhecemos ao longo da trajetória, cada lugar que os mundos diferentes nos reservavam, cada nova informação que adquiríamos, cada quebra-cabeça que montávamos, cada discurso que nos encantava, cada tristeza que vivíamos, cada reflexão que tivemos.

Tantos sentimentos, tanta nostalgia, tanta vontade de reviver sem realmente voltar.
Não são as fases que são divertidas é o jogo como um todo que é divertido.
E quando o jogo parece não querer mais nos oferecer novos desafios, fica essa melancolia.

E, acontece quando se menos espera: vem o chefão, aquele que parece ser o maior desafio.
Nos derruba de uma maneira que passamos a viver em função desse chefão - THE BOSS.
Tudo que pensamos gira em torno de como podemos derrubar THE BOSS.
Procuramos os pontos fracos, os pontos fortes, onde se esconder quando ele nos solta seus poderes mais agressivos, e os menos também.
E, quando nos damos conta, vencemos o chefe. Simplesmente.
A sensação de desafio desaparece. Nos dá a sensação de alívio, mas um alívio estranho.
Vem a historinha final, congratulações, coisas afins e blá blá blá's.

Numa leve epifania, constatamos que THE BOSS era nós mesmos.
O eu contra eu mesmo: parece aquela lição de moral patética que nos deixa impotente.
Retomamos as lembranças das outras fases, de novo, e passamos a perceber que o percurso é mais divertido que o fim.

Que o fim, na verdade, não tem tanto sentido. O fim, nunca é tão divertido. Até isso a gente aprende nesses jogos.
"Lembra daquilo naquela fase? Lembra aquela coisa que tínhamos que fazer para passar? Lembra como era ridículo o discurso daquele cara? Cada pérola patética AAAAH HAHAHAHAHA e aquela quando tomamos um porre, todo mundo enlouquecendo?!?!?" (...)

E, agora chega uma nova fase, só que de um jogo diferente - que pode ser uma continuação ou ser completamente diferente do jogo anterior...

Enfim, não vou negar que foi divertido jogar esse jogo chamado Faculdade.


ps.: Sorry, Hiro, but the princess is in another castle...
DAMN!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mas, e essa internet?

Aaahh...a pós-modernidade, esse tempo tão amplo, tão cheio de ideias, tão rico de informações. Minha contribuição também será tão irrelevante quanto toda essa mistura violenta de tempos, ideias e informações.
Já vi muitos textos referentes às redes sociais e suas funcionalidades. Não quero construir mais um sobre o mesmo tema, porém será inevitável não abordar sobre o tema que atualmente está muito influente na nossa formação de opinião.

"Redes sociais" - diz-se "redes", ao meu entender, pois as informações se entrelaçam, se conectam, se amarram, criando esse emaranhado de informações. Ora que confundem, ora que confundem demais.
Diz-se "sociais", porque representa a sociedade, óbvio.

Muitas vezes me surpreendo com a velocidade com que algumas coisas circulam nas redes sociais. É de um dinamismo tão intenso que tenho a sensação de que não temos nenhuma opinião madura a respeito de determinados temas, porém parece criar a necessidade constante de estar opinando sobre tudo que circula.
É um dinamismo que trouxe uma certa ansiedade nas pessoas, que precisam ter uma opinião formada sobre tudo.
"Estamos tão superficiais" é uma frase que escuto bastante em conversas com amigos. Mas, por que será?

Não quero defender nenhuma linha de pensamento, apenas contribuir com alguma reflexão sobre esse dinamismo tão intenso. Meus textos e modo de viver absorveram muito da faculdade que estou prestes a me formar. Portanto, não vou conseguir construir um texto conciso e objetivo, como um texto jornalistico, pois para isso acredito que teria que assumir um posicionamento com relação a diversas opiniões que são passíveis de reflexões muito mais profundas, por isso nada é objetivo e conciso para mim. Logo, não consigo assumir um posicionamento exato, apenas posso dizer que algo está errado. Não estou aqui dizendo que todo texto jornalístico é resultado de posicionamentos, afinal quem sou eu para questionar teorias que não domino. Só faço o mesmo que a maioria das pessoas: discutem sociedade sem ser cientistas sociais (geógrafos, sociólogos, antropólogos etc), o que considero algo muito bom, pois sociedade é para ser discutira por pessoas que compõem a sociedade e não precisamos de títulos para isso.

"Concordo, não concordo, sou a favor, não sou a favor, sou assim, sou assado, é isso, é aquilo, penso assim, não penso assim, entendo, não entendo." Enfim, penso que, por exemplo, a frase "tempo é dinheiro", tão profanada pelos ideais capitalistas, cristalizou nos nossos subconscientes de modo que não sabemos mais por qual motivo temos a sensação de estarmos sempre perdendo tempo. Nota: considerando aqui nesse caso que e a maioria das pessoas buscam um modo de ganhar dinheiro em menos tempo possível, por causa do estilo de vida, modo de vida, necessidades da vida pós-moderna (tudo que muitos "críticos sociais de plantão na internet" acham um tremendo clichê de estudantes de ciências sociais).

Sou um ser que preciso absorver uma informação, refletir sobre ela, fragmenta-la em diversos pensamentos, uni-las e destruí-las novamente, retirar todos os preconceitos sobre elas, torná-las plausíveis e, a partir daí, opinar, afinal, um evento polêmico sempre possui inúmeros fatores que ou são ocultadas por interesses dos informantes, ou são negligenciadas por incompetência dos informantes assim como dos informados. Mas, até chegar a uma opinião com maior consistência, o tema já mudou.

Parece que a nossa necessidade de se informar é mais relevante do que debater ou absorver um certo tipo de informação. Parece ser essa a característica da velocidade dos tempos atuais.

Considero essa superficialidade possui uma relação direta da nossa superficialidade com a rotina. Estamos assinando a sentença de morte de uma verdadeira discussão sobre os problemas do cotidiano. Afinal, para que refletir ou filosofar muito sobre um determinado tema?
Frases que são sátiras dos tempos modernos: "this is so last week", por exemplo, parecem estar cada vez mais incorporadas nos nossos pensamentos e não notamos isso.

Então, pego como exemplos temas como Belo Monte, Wall Street, preconceitos, e por ai vai. O que vou dizer quanto aos três exemplos que mais me deixaram pensativos nas redes sociais: Vocês estão todos certos. Sem ironias e sem sarcasmos. Estão todos certos ao assumirem um posicionamento, queira ou não, a necessidade de ter um pensamento com posição social é um mal necessário das pessoas. Temos que assumir algo, um posicionamento. Logo, estão todos certos. Assim que se incita um debate, uma discussão, uma mudança, a política.

O PROBLEMA: é que essa discussão, esse debate, essa loucura desenfreada de ter uma opinião está exclusivamente no espaço das redes sociais, no espaço virtual. Ou seja, esses temas ainda estão sob domínio das pessoas que possuem o poder da informação. Não está na discussão na sociedade brasileira como um todo, está concentrada no grupo de pessoas que possuem acesso a essa internet, que parece ser um bem comum à todas as pessoas, mas na verdade ainda não é um elemento capaz de transformar uma sociedade como um todo. A internet ainda é apenas uma ferramenta, socialmente limitada, porém muito poderosa para transmitir informações, não a chave para a resolução de todos os problemas.

A internet nos confunde em termos de escala geográfica, adotamos problemas mundiais como problemas regionais ou como problemas locais. Passamos a confundir especificidades de cada lugar no globo terrestre e a generalizamos como se todos sofressem os mesmos problemas. Cada lugar, cada pessoa, cada sociedade é um mundo.

Retomando o exemplo de Belo Monte que está na pauta de discussões: ela está, porque algo naquela região está errado. Não adianta tomar um partido de "contra" ou "a favor" sobre a situação daquela região sem o conhecimento dela, de cada especificidade que ela possui, e esse conhecimento só se consegue vivendo e convivendo um tempo por lá.
Esses posicionamentos que criam esses vídeos bagaceiros na internet - resultado dessa dualidade, onde os discursos e o roteiro se tornam pobres a ponto de mostrar os porquês as pessoas são "contra" ou "a favor". Enfim, gera-se desses vídeos uma agressividade nas discussões, aonde facilmente vemos discursos misantrópicos ou até de um certo ódio contra quem realmente está no meio dessa briga, e não é isso que resolve o problema sério que é Belo Monte. Textos com dados econômicos, discursos humanistas, contra ou em prol do governo, enfim, muito pouco se mostra realmente qual o jogo de interesses por trás dessas obras. Poucos são os que conseguem captar o jogo de interesses dessas obras de "desenvolvimento".
Ser contra remete a "atrasar o desenvolvimento do país".
Ser a favor remete a "evoluir economicamente o país".
Mas, afinal, o que é Brasil? O que é ser brasileiro? O que é defender a economia? O que é defender os índios? O que é dignidade? O que é milhões de kilowatts? O que é "foda-se tudo, constrói essa merda duma vez"? O que é "ai que papo chato, quero só beber e sair com amigos"? O que são as gerações de emprego"? "Desenvolvimento" realmente significa mudar a vida de pessoas de uma determinada região em prol daqueles que não conhecem suas realidades? Para um "BEM COMUM"? O que é "bem comum"? Para que, para onde, para quando, por que?

Em qualquer posicionamento, existem vantagens e desvantagens, a diferença é o quanto cada posição considera a relevância de suas vantagens e desvantagens. O que vejo é que dessas divergências cria-se a política. E disso, vejo vantagens, mas se estamos assumindo um posicionamento sejamos livres para aceitarmos sempre as opiniões até daqueles que são nossos inimigos. Afinal, só existem essas contradições e conflitos nessas imensas terras (GRILADAS, SEM REFORMAS AGRÁRIAS, MONOPOLISTAS) limitadas por uma linha política imaginária que a define como um Estado - um "país emergente" - por uma razão: ela é um "país de todos". Nenhum saber popular ou intelectual (duas castas desnecessárias que usamos para definir conhecimento e aprendizado) conseguiu definir, com a precisão positivista, qual a cultura da população nessa gigantesca miscigenação que se cria constantemente dentro desses limites territoriais chamado Brasil.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Continuidade

Voltando ao espírito crítico, nada melhor que renovar tudo, inclusive a vida real.
Não seria um "novo começo" é apenas a continuação de algo que só acaba com a morte.
Amadurecimento só se percebe quando nos envergonhamos do que éramos.
Nada mudou. A essência é a mesma.